Por que o R36S virou febre no Brasil (e o que isso mostra sobre o retrô)
O R36S virou febre entre os portáteis retrô no Brasil. Entenda o que explica o sucesso, o risco de clones e o que conferir antes de comprar o seu.
Por Equipe Console Portátil · · 5 min de leitura
O R36S é um portátil retrô de bolso, vertical, que ganhou fama no Brasil pelo preço baixo. Em poucos anos, passou a aparecer em listas de “melhores portáteis retrô”, em vídeos e em marketplaces. Este texto separa o que os dados mostram do que é só impressão, e explica o que o caso diz sobre o retrô no país.
Resposta rápida: quatro coisas ajudam a explicar o sucesso: o preço de entrada baixo, a nostalgia (que a pesquisa mede), a facilidade de achar em lojas e marketplaces e, em 2026, o fim do imposto federal de importação em compras de até US$ 50. Só que não há dado público de vendas por aparelho. Por isso falamos em “febre” e em “um dos mais avaliados”, não em “o mais vendido”.
Ainda não conhece o aparelho? Ele tem tela IPS de 3,5 polegadas, dois analógicos e dois slots de microSD, e roda bem clássicos até o PS1. Não tem Wi-Fi, Bluetooth nem saída para TV. Quer ver as especificações completas, o cartão recomendado e onde comprar? Abra a ficha do R36S e volte aqui para entender o fenômeno.
1. A demanda de fundo: nostalgia
Na Pesquisa Game Brasil 2026, feita com mais de 7 mil pessoas de 16 a 55 anos, 62,6% disseram costumar revisitar jogos clássicos sozinhos e 55,1% jogam clássicos com amigos. A mesma pesquisa mostra que a geração Z passou os millennials como maior grupo de jogadores (36,5% contra 33,7%).
Um limite importante: esses números falam de jogos clássicos em geral, não de portáteis retrô. Eles mostram que há público para o retrô, mas não provam que esse público compra o R36S.
Uma hipótese nossa, que a pesquisa não mede: parte desse público conhece o retrô por vídeos e redes, não por memória própria.
2. O preço pesa mais que qualquer outra coisa
Entre quem considera comprar um jogo que já jogou, o preço baixo ou a promoção é o principal motivo, para 44% dos entrevistados da PGB 2026, à frente de remakes (36,3%) e de compatibilidade com plataformas atuais (23,8%).
No hardware, o R36S ocupa justamente a faixa de entrada. Uma lista do Techtudo de agosto de 2026 vai de R$ 167 (R36S, na Shopee) a R$ 1.628 (Retroid Pocket 5), com o Miyoo Mini Plus no meio do caminho. Preços de marketplace mudam toda semana: use esses valores só como ordem de grandeza.
3. Está em todo lugar
O R36S aparece em marketplaces e lojas nacionais, muitas vezes com estoque no Brasil. A nota é alta (4,8 na Shopee, segundo o Techtudo) e o número de avaliações passa de 15 mil nessa lista. Dois cuidados ao ler isso: a contagem de avaliações acumula anos e mistura versões e clones; e ofertas muito comentadas (como uma que chegou a 1.307 graus no Pelando) são sinal de interesse, mas anedótico.
4. O gatilho de 2026: o fim da taxa
Em maio de 2026, a Medida Provisória 1.357 zerou o Imposto de Importação em remessas de até US$ 50 de empresas do Remessa Conforme, como Shopee e AliExpress. Em 10 de setembro, a lei de conversão foi sancionada. O ICMS continua sendo cobrado, e acima de US$ 50 a alíquota federal caiu de 60% para 30%, com desconto fixo.
É um gatilho plausível para mais interesse em portáteis baratos de fora, mas não temos como provar que ele explica vendas do R36S. Para calcular o custo de um modelo importado, use a calculadora de importação.
5. O outro lado: quase ninguém sabe qual R36S está comprando
O R36S não tem fabricante oficial. Ele é produzido e copiado por várias fábricas, e há “clones do clone”. Na prática, isso significa:
- O modelo original costuma vir com o sistema ArkOS. Clones costumam usar EmuELEC, ter 512 MB de RAM, tela pior e PS1 travando.
- O cartão de memória que vem no aparelho costuma ser de baixa qualidade e pode corromper com o tempo. Troque por um microSD de marca conhecida.
- Não há Wi-Fi, Bluetooth nem saída para TV, e Nintendo 64, Dreamcast e PSP rodam de forma irregular.
Veja o detalhe na ficha do R36S: sistema, memória, cartão recomendado e como diferenciar original de clone.
6. Além do R36S: três faixas
A mesma lista do Techtudo mostra que o retrô não é só o R36S:
- Entrada: o R36S e outros modelos de 3,5 a 4 polegadas resolvem clássicos até o PS1 por pouco dinheiro.
- Intermediária: o Miyoo Mini Plus, por exemplo, aparece um degrau acima do R36S na lista do Techtudo.
- Android: modelos como o Retroid Pocket 5 sobem de preço para rodar PSP, PS2 e GameCube.
Marcas como Boyhom, Trimui, Anbernic, Miyoo e Retroid disputam essas faixas. Para escolher por perfil, veja o guia de compra.
O que o caso mostra sobre o retrô
- O retrô vende barato e vende muito: o preço de entrada, mais que a potência, abre o mercado.
- A confiança é o gargalo: sem fabricante oficial, o comprador precisa saber conferir o que recebeu.
- A nostalgia agora é geracional: quem é da geração Z pode chegar ao retrô por vídeos, e não pela infância.
Este site não indica onde baixar jogos ou ROMs.
O que não dá para afirmar
- Vendas por aparelho ou participação de mercado: não encontramos fonte pública.
- “Mais vendido do Brasil”: opinião de blog, não dado.
- A PGB 2026 não mostrou, no que lemos, um recorte de portáteis retrô.
- O fim da taxa de importação é um gatilho plausível, não uma causa comprovada.
Fontes
- Pesquisa Game Brasil 2026 (Forbes Brasil)
- PGB 2026: preços altos e compra de jogos (Canaltech)
- Melhor videogame portátil retrô: 5 consoles (Techtudo, agosto de 2026)
- Lula sanciona lei que zera imposto de importação até US$ 50 (News Rondônia, 10/9/2026)
- Comprar na Shein, Shopee e AliExpress em 2026 (Exame)
- R36S vale a pena? (Codex Retro)
- Ficha técnica e cartão recomendado: ficha do R36S, conferidas em 1º de outubro de 2026.

